domingo, 28 de julho de 2013

Irmãozinhos Unidos


Gostavam  muito de brincar com o jogo:



A dança dos ventos brasileiros

Aí vem os ventos assobiando,
E vêm dançando,
E vêm cantando
A canção das distâncias
Que eles sabem de cor.

Correm léguas e léguas sem parar,
Para chegar a tempo
Na grande festa,
Na grande roda,
Na roda doida
Que vão dançar.

O primeiro que chega na floresta
Tem um cheiro de água na floresta
Tem um cheiro de água no seu corpo de ar;
Veio da terra das grandes águas e igarapés,
E, correndo através dos rios e das várzeas,
Ainda se lembra do grande rio.

Nos pés ligeiros como veados,
Chega outro vento
Que vem de longe;
Vento dos matos,
Vento dos prados,
Dos grandes matos e grandes prados
Lá do sertão,
Lembra, no andar, as onças ariscas,
Os bichos do mato,
Levantando com os pés a poeira do chão.

O vento do mar,
Vento do acaso,
Pulando serras e cordilheiras,
Grotas, barrancas,
Chegou cansado de tanto andar
Nas terras brasileiras.

Como um corcel arisco dos pampas,
Lá vem o vento,
Lá vem o vento,
Vento do sul, vento que é livre,
Com a crina imensa  na escuridão,
Batendo as patas
Descompassadas
No chão.

E, de mãos dadas, os quatro ventos,
No seio imenso da noite do mato.
Os quatro ventos como crianças,
Ficam dançando de mãos dadas
A doida dança dos duendes,
Dos curupiras e sacis.

E o saci dança, doido no redemoinho
Dentro da noite brasileira
-Sobre o redemoinho que zune no mato-
Para pegar o saci Pererê,
Deus atira o céu, como uma peneira
Enorme e azul, com cruz de estrelas...
(Vinicius Meyer)




2 comentários:

Ser Mãe é padecer no Paraíso... presente incomparável de Deus...

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