terça-feira, 23 de julho de 2013

Filhos amados


Gostavam de colecionar os tais bonequinhos...




Manjolo Velho

Da boca da preta, tão mole, sem dentes,
Caíam as palavras, pesadas no quarto
Onde a luz da lamparina
Dançava, tonta,, nas paredes.

... Então Ali Babá entrou, devagar,
Na caverna dos Quarenta ladrões,
Toda cheia de ouro e de prata,
E de pedrarias a brilhar...

Que lhe importa Ali Babá
Co seu tesouro de pedrarias,
Se ele tinha um baú cheinho
De olhos de cabra, de salta martins
De caramujos, de borboletas,
De besouros verdes e ovos azuis,
E tanta coisa que ele juntara,
Andando nos matos em busca de ninhos!
...Então Joãozinho e Maria
Entraram na casa da feiticeira,
Que era toda feita de doces,
Com a poeira do chão toda de açúcar...

A casa de doces seria melhor,
Com suas paredes de marmelada,
Com seu chão de açúcar,
Com engenho cantate de perto da casa,
Onde a garapa corria ligeira,
Cantando nas bicas de bambu,
Onde o cheiro da rapadura
Adocicava o ar parado e morno
E onde os mulatos bondosos, suados,
Enchiam-lhe a boca de pontos de açúcar?

...Então o Gato de Botas
Falou para o Rei!
-Todas estas terras pertencem
Ao meu amo, o Marquês de Carabás...

Não, as terras do Marquês
Não eram mais lindas que as terras do pai,
Nem tinham aquele canavial tão lindo
E nem tinham - ah! não tinham - aquele monjolo,
Aquele monjolo tão velho e cansado,
Que agora, na treva, cantava, cantava!
Nhein... pan, nehin... pan, nhein... pau...
Trazendo-lhe o sono -nhein...
Tão bom, devagar - pan...
E o menino da roça adormece feliz!
(Vinícius Meyer)



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