sexta-feira, 14 de junho de 2013

Irmão Feliz (I)


A morte do jangadeiro

Ao sopro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue, veloz, a intrépida jangada,
Entre os uivos domar que se encapela.

Prudente o jangadeiro se acastela
Contra os mil incidentes da jornada;
Fazem-lhe, então, guerra encarniçada
O vento, a chuva, os raios, a procela.

Súbito, um raio o prostra e, furioso,
Da jangada o despeja n'água escura:
E, em brancos véus de espuma, o desditoso

Envolve e traga a onda intumescida,
Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura,
O mesmo mas que o pão lhe dera em vida.
(Pe. Antônio Tomaz)

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