sexta-feira, 28 de junho de 2013

Filhos, o Maior Presente


Os brinquedinhos que tiveram...




A fazenda

Seis horas... Salto do leito,
Que céu azul! Que bom ar!
Ah! Como eu sinto no peito,
Moço, vivo  satisfeito,
O coração a cantar!

No meu quarto, alegre e claro,
Há rosas e girassóis;
E eu, com enlevo, reparo
No mumo do seu preparo
Na alvura dos seus lençóis...

Que doce encanto, e que graça,
Nesta simpleza aldeã.
Tem, sobre os vãos da vidraça,
Bailando ao sol da manhã!

E da florida janela
Que eu abro de par em par,,
-Verde painel, larga tela,
Da cor mais viva e mais bela,
Desdobra-se a meu olhar!

Rindo, a manhã fresca e branda,
Doira, de róseo matriz,
]A ampla casa venerada,
Com sua quieta varanda
Cheirosa de  bogaris...

Um renque de altos coqueiros
Circunda o vasto pom,ar;
Como enormes tabuleiros,
Ficam em frente os terreiros,
Com grãos de coco a secar.

Um quadro: curvo e sozinho,
Um pobre negro, o Bié,
A passo, devagarzinho,
Com seu rumoroso ancinho,, 
Lá vai rodando o café...

Depois, - a máquina, a tulha,
O alpendre, o farto paiol:
Ah! Como a roça se orgulha
De ver subir a fagulha
Que lança a máquina ao sol!

Branca, entre tufos, a escola
Logo na estrada se vê.
É lá, nessa casinhola,
Que  a filha de nhá Carola
Vai ensinar o abe.

Fulgem, na estrada tranquila,
casinhas brancas de cal:
É a colônia que cintila,
Graciosa como uma vila,
Risonha como um pombal.

E, ao longe, o pasto,a cancela,
-Um boi deitado no chão;
Paisagem rude e singela,
Faria fina aquarela
De puro estilo aldeão.

E além da várzea e da ponte,
Num colorido rural,
Cobrindo as rampas do monte,
Por todo o imenso horizonte
Alastra-se o cafezal!

E enquanto o olhar se extasia
Em cena tão linda e chã,
Eu sinto n'alma a poesia
Desta orvalhada manhã.

E absorto no panorama
Que assim contemplo, de pé,
Eis que uma velha mucama,
Surgindo à porta, me chama:
Nhonhô, tá pronto o café...
(Paulo Setubal)


Um comentário:

Ser Mãe é padecer no Paraíso... presente incomparável de Deus...

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