sábado, 11 de maio de 2013

Televisão x controle remoto


Mãe:
Eu sou uma televisão sem controle remoto.
Filhos:
Eu sou o controle remoto da sua televisão.


Plutão

Negro, com os olhos em brasa
Bom, fiel e brincalhão,
Era a alegria da casa
O corajoso Plutão.

Fortíssimo, ágil no salto,
Era o terror dos caminhos,
E duas vezes mais alto
Do que o seu dono Carlinhos.

Jamais à casa chegara
Nem a sombra de um ladrão;
Pois fazia medo a cara
Do destemido Plutão.

Dormia durante o dia,
Mas, quando a noite chegava,
Junto à porta se estendia,
Montando guarda ficava.

Porém, Carlinhos, rolando
Com ele às tontas no chão,
nunca saía chorando
Mordido pelo Plutão...


Plutão velava-lhe o sono,
Seguia-o quando acordado:
O seu pequenino dono
Era todo o seu cuidado.

Um dia caiu doente
Carlinhos... Junto ao soldado
Vivia constantemente
Triste e abatido, o Plutão.
Vieram muitos doutores,
Em vão. Toda a casa aflita,
Era uma casa maldita.

Morreu, Carlinhos... A um canto,
Gania e ladrava o cão;
E tinha os olhos em pranto.

Depois, seguiu o menino,
Seguiu-o calado e sério;
Quis ter  o mesmo destino:
Não saiu do cemitério.

Foram um dia à procura
Dele. E, esticado no chão,
Junto de uma sepultura,
Acharam morto o Plutão.
(Olavo Bilac)


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ser Mãe é padecer no Paraíso... presente incomparável de Deus...

Customizado por Meri Pellens.