quarta-feira, 29 de maio de 2013

Meus Filhos, Minha Vida



"O Amor do Senhor Deus por quem O teme é de sempre e para sempre... e também sua justiça se estende por todas gerações até os filhos de seus filhos"...


Qual a bandeira mais bela?

-Qual a bandeira mais bela?
-Mas nem se discute! É aquela
Que o céu refletindo está.
Que o ouro festivo encerra
E as matas da minha terra
Onde canta o sabiá.

-Qual a bandeira mais bela?
-É aquela, verde e amarela
Que tem um céu sempre azul.
No centro há um lema. E gravadas
Vinte e uma estrelas douradas
Tendo o Cruzeiro do Sul.

-Qual a bandeira mais bela?
-Para mim é sempre aquela
Que fala ao meu coração.
Que, nunca me causa mágoa
Que me inunda os olhos d'água
Quando falo em meu torrão.

Mesmo que fosse ceguinho,
O meu coração, certinho,
A apontaria entre mil:
-Aquela é a minha bandeira
Bem minha! Bem brasileira!
Retrato do meu Brasil!
(Isabel Vieira de Serpa e Paiva)




segunda-feira, 27 de maio de 2013

Pão e Trigo



Mãe:

Eu sou o pão sem trigo
Filha:
Eu sou o trigo do seu pão.

Os sinos do Brasil colonial

À hora da ladainha,
Na torre da capelinha,
O sino bate, cantando:

Eu quero um vintém
Eu quero um vintém
Eu quero um vintém!...

Mas no ar doirado e brando,
Enche de sons os caminhos
A voz sonora dos sinos
Da Igreja dos capuchinhos:

Capuchinhos não tem
Capuchinhos não tem
Capuchinhos não tem!...

Não tem...
Não tem...
Não tem!...

A voz da capelinha:
Tem!...
A voz dos capuchinhos:
Não tem!...

E dentro da tarde linda,
Numa teima que não finda,
Lá vão os sinos cantando:

..Tem
-...Não tem...
Tem...
Não tem...
Tem...
(Marieta Leite)



sábado, 25 de maio de 2013

Boca e dentes


Mãe:
Eu sou a boca sem dentes.
Filha:
Eu sou os dentes de sua boca.

Minha terra

Minha terra é Pindorama
De palmeiras sempre em flor;
Quem as viu e não as ama,
Não tem alma nem amor.

Santa cruz é minha terra,
Terra santa cá  do sul:
Seu pendão a cruz encerra,
Tem a cruz nó céu azul.

Deus num último batismo
Meu país Brasil chamou;
Se me abrasa o patriotismo,
Brasileiro então eu sou.

Eis os nomes que assinalam
Minha terra sempre em flor:
São três nomes que me falam
De beleza, fé e amor.

Pindorama! És meu encanto!
Santa cruz! És minha fé!
Ó Brasil! Eu te amo tanto,
Que  por ti morrera até!
(D. Aquino Correa)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Rosa x pétalas


Mãe:
Eu sou a rosa sem pétalas
Filha:
Eu sou as pétalas da sua rosa.

Festa no brejo

A saparia desesperada
Coaxa, coaxa, coaxa.
O brejo vibra que nem caixa
De guerra. os sapos estão danados.

A lua gorda apareceu
E clareou o brejo todo.
Até a lua sobre o coro
Da saparia desesperada.

A saparia toda de Minas
Coaxa no brejo humilde.

Hoje tem festa no brejo.

(Carlos Drummond de Andrade)



terça-feira, 21 de maio de 2013

Ventilador x motor




Mãe:
Eu sou o ventilador sem motor.
Filha:
Eu sou o motor do seu ventilador.

Sê brasileiro

Se perguntarem, filho, onde
É a terra do teu amor,
Cheio de orgulho, responde:
-Sou brasileiro, senhor.

Não digas - sou sergipano,
Sou paulista ou sou mineiro,
Pois será mais soberano,
Dizendo: - sou brasileiro!

Mais que palistas , mineiros,
Devemos fazer questão
De ser todos brasileiros
De nascença e coração.

Desfraldemos contra o engodo:
Separatismos, o estandarte,
Pois é melhor ter-se o todo
Que apenas, dele uma parte.

É justo amar-se o recanto
Que nos viu nascer e nadar:
A pátria deve, no entanto,
ter o primeiro lugar.

Ela não é o Amazonas,
Nem Paraná, nem Bahia,
Nem do norte, as quentes zonas,
Nem do sul a zona fria.

Não é Goiás, Mato grosso,
São Paulo ou Minas Gerais:
É o  nosso Brasil, colosso
Legado dos nossos pais.

E enquanto de sul a norte
Unido for o Brasil,
Será nação grande e forte,
Respeitada, varonil.

Pois não tem entre os Estados
Nem segundos nem primeiros;
São eles férteis legados!
De todos nós, brasileiros!
(Brant Horta)






domingo, 19 de maio de 2013

Pessoa x beleza


Mãe:

Eu sou uma pessoa sem beleza.

Filhos:

Eu sou a beleza da sua pessoa.

Treze de Maio

Cada vez que falar ouço
Dos escravos, dos tormentos,
Dos seus grandes sofrimentos
Da sua vida cruel,
Bendigo a Lei de Paranhos,
E de Cotegipe o ensaio,
Bendigo o 13 de Maio,
Louvo a Princesa Isabel!
Rendo uma terna homenagem
Aqueles que trabalharam,
Que pelo escravo lutaram
Pondo fim à lei servil.
E do íntimo do meu peito
Peço a Deus, que o amor encerra,
Que abençoe a minha terra
Meu grande e forte Brasil!
(Isabel Vieira de Serpa e Paiva)





sexta-feira, 17 de maio de 2013

Casa x base


Mãe:
Eu sou uma casa sem base.
Filhos:
Eu sou a base da sua casa.

Brasil

Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! Não verás nenhum país como este!
Olha que céu! Que mar! Que rio! Que floresta!
A natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe, a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! Vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera,
Fecunda e luminosa, a eterna Primavera!
Boa terra! Jamais negou a quem trabalha,
O pão que mata a fome, o teto e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz e enriquece!
Criança! Não verás país nenhum como este
Imita na grandeza a terra em que nasceste!
(Olavo Bilac)


quarta-feira, 15 de maio de 2013

Vulcão x explosão


Mãe:
Eu sou um vulcão sem explosão.
Filhos:
Eu sou a explosão do seu vulcão.

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem maias estrelas,
Nossa várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras
Onde canta o sabiá.
(Gonçalves Dias)


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Trem x trilho


Mãe:
Eu sou um trem sem trilho.
Filho:
Eu sou o trilho do seu trem.

Cromo

Na alcova sombria e quente,
Pobre demais, se não erro,
Repousa um moço doente
Sobre uma cama de ferro.

Pede-lhe baixo, inclinada,
Sua mulher - que adormeça,
Em cuja perna cansada
Ele reclina a cabeça.

Vem uma loura figura
Com a colher da tintura
Que ele  recusa, um ai!

Mas o solícito anjinho
Diz-lhe com riso e carinho;
-Bebe que é doce, papai!
(Bernardino Lopes)


domingo, 12 de maio de 2013

Amor de Mãe


Senhor,
Faz sempre que eu os ame cada vez mais
Colocando-os como prioridade em  minha vida
Que de pobre se faz rica
Com a presença deles que me rejuvenesce...

Tê-los comigo
É um bom motivo de Esperança
Interminável...
Incalculável...
Impenetrável
Para os que têm o coração duro...

Família, tudo de bom que o Senhor poderia me dar!

Ainda que não a planejasse,
Ela é sempre bem vinda!
Uma caridade estupenda de Deus Pai
Que, por ser tão bom,
Tem um Amor de Mãe...

sábado, 11 de maio de 2013

Televisão x controle remoto


Mãe:
Eu sou uma televisão sem controle remoto.
Filhos:
Eu sou o controle remoto da sua televisão.


Plutão

Negro, com os olhos em brasa
Bom, fiel e brincalhão,
Era a alegria da casa
O corajoso Plutão.

Fortíssimo, ágil no salto,
Era o terror dos caminhos,
E duas vezes mais alto
Do que o seu dono Carlinhos.

Jamais à casa chegara
Nem a sombra de um ladrão;
Pois fazia medo a cara
Do destemido Plutão.

Dormia durante o dia,
Mas, quando a noite chegava,
Junto à porta se estendia,
Montando guarda ficava.

Porém, Carlinhos, rolando
Com ele às tontas no chão,
nunca saía chorando
Mordido pelo Plutão...


Plutão velava-lhe o sono,
Seguia-o quando acordado:
O seu pequenino dono
Era todo o seu cuidado.

Um dia caiu doente
Carlinhos... Junto ao soldado
Vivia constantemente
Triste e abatido, o Plutão.
Vieram muitos doutores,
Em vão. Toda a casa aflita,
Era uma casa maldita.

Morreu, Carlinhos... A um canto,
Gania e ladrava o cão;
E tinha os olhos em pranto.

Depois, seguiu o menino,
Seguiu-o calado e sério;
Quis ter  o mesmo destino:
Não saiu do cemitério.

Foram um dia à procura
Dele. E, esticado no chão,
Junto de uma sepultura,
Acharam morto o Plutão.
(Olavo Bilac)


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Feliz, níver, filhota amada!






Passeio de barco

Um dia em que Nossa Senhora, tão linda,
Anda de barco com Nosso Senhor,
Surgiu uma praia distante, lá fora
Tão linda , tão linda, que Nossa Senhora
Abrindo os sues olhos enormes e azuis
Falou pra Jesus:
-Que linda! Que linda!
Por isso é que chama a praia de Olinda!
Não há outra praia com tão linda cor!

E quando o barquinho nas águas descia,
(Que dia de encanto, de luz, de frescor!)
Surgiu, à distância, um novo recanto,
Tão lindo, tão lindo,
Que com os olhinhos cheinhos de espanto
Jesus perguntou à Virgem Maria
Se era um presepe, se era um presepe,
Que longe ele via...
-Não; era a Baía
De São Salvador...
(Luís Peixoto)

terça-feira, 7 de maio de 2013

Mel x favo


Mãe:
Eu sou um favo sem mel.
Filhos:
Eu sou o mel do seu favo.

O cajueiro pequenino

Ouve, escuta, cajueiro,
OI canto que eu vou cantar,
Ao frio vento que passa,
À luz do frouxo luar.

Somos ambos pequeninos,
Vivemos ambos no chão.
Se dizes que pés meu amigo,
Eu digo - sou teu irmão.

Minha mãe, neste terreiro,
Quando eu nasci te plantou.
Criou-te com sombra e água,
Com seu leite me criou!

Fui crescendo, cajueiro,
E tu cresceste também.
O segredo que te disse,
Não o contes a ninguém.

Somos ambos pequeninos,
Queremos ambos viver.
Cresce, cresce cajueiro,
Que eu também hei de crescer.
(Gentil Braga)


domingo, 5 de maio de 2013

Águas profundas


Mãe:

Eu sou sem profundidade em minha vida.

Filhos:

Eu sou o seu avance para águas mais profundas.

Poema

Papagaio loiro do bico doirado
Vive empoleirado no poleiro de oiro.

Gata borralheira gosta de agasalho,
Dorme no borralho, dorme a vida inteira.

Papagaio come: papagaio é nobre...
Mas a gata é pobre, vai morrer de fome.

Papagaio fala: Bruxa! Feiticeira!
Gata Borralheira faz ronrom e cala.

Mas um dia,corre, vai nervosa a gata
Salta, estende a pata... Papagaio morre...

E, cinzenta e enorme, num colchão de penas
Verdes, hoje, apenas uma gata dorme..
(Guilherme de Almeida)



sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pássaro x ninho


Mãe:
Eu sou um pássaro sem ninho.
Filhos:
Eu sou o ninho do seu pássaro.

Sítio do caboclo

Pouco depois da aguarda,
No chapadão que além vira,
Uma casinha barreada,
De uma família caipira.

A cerca, de pau a pique,
Logo ao chegar se depara;
Dá ao quadro um quê de chique
Uma porteira de vara.

No oitão da casa um poleiro,
E um leitãozinho a fuçar...
E num canto do terreiro,
Uma pedra de afiar.

Do telhado sob as beiras,
O córrego de enxurradas,
Formado pelas goteiras,
No tempo das chuvaradas.

Num cocho perto da porta
Come milho um punga baio,
E um homem taquaras corta
Para fazer um balaio.

Um caboclinho indolente,
Que baixinho cantarola,
Recostado no batente,
Vai ponteando a viola.
(Cornélio Pires)


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Propaganda x atração


Mãe:
Eu sou a propaganda sem atração.
Filhos:
Eu sou a atração da sua propaganda.

Guapo

Montado em seu cavalinho,
(era um cabo de vassoura)
Galopava Miguelzinho,
Pondo tudo em dobradura.

Upa, upa, meu ginete,
Gritava ele a saltar
Era mesmo um diabrete
De fazer atordoar.

Corre, salta, espinoteia.
Dá no matungo a valer
Cada vez mais sapateia
Faz a gente enlouquecer.

De repente o cavaleiro
Descuidou-se e foi ao chão;
Mas não fez nenhum barreiro
Por causa de um arranhão.

Foi o pingo que espatifou-se,
Disse a rir o Miguelzinho;
Mete-lhe a espora, empinou-se;
Afinal, foi de focinho.
(Hilário Ribeiro)



Customizado por Meri Pellens.