sexta-feira, 19 de abril de 2013

Rei x coroa


Mãe:
Eu sou um rei sem coroa.
Filhos:
Eu sou a coroa do seu rei.

Arrependimento

Aos pés do confessor, um trêmulo velhinho,
Mário desfaz em pranto a amarga confissão:
-Senhor Padre: pequei! Matei um passarinho
E arremessei depois, ainda quente, o ninho
À água do ribeirão.

Quanto tempo fiquei a olhar para a corrente,
Senhor Padre, nem sei!
Mas, senti dentro em mim, ao vê-la, de repente,
Essa angústia que esmaga o coração da gente...
Senhor Padre, chorei!

Desde então, noite e dia, a toda hora, escuto
Ao pé de mim, dorido, um pio de aflição!
Parece que ficou meu coração de luto.
Achei que foi cruel, que fui mesquinho e bruto.
Senhor Padre... perdão!

Consola-o docemente o trêmulo velhinho:
-Filho, com tua dor a tua culpa cai.
Deixa em paz, filho meu, o humilde passarinho!
Não levantes jamais a mão para o seu ninho!
Respeita-o! Tem-lhe amor! Eu te perdoo. Vai!

Desde esse dia, Mário é amigo predileto
Dos pássaros que vêm cantar no seu jardim.
E a custa de ternura, em paga desse afeto,
Enchem de asas e sons o beiral do seu teto.
Deus perdoou-lhe assim.
(Isabel Vieira de Serpa e Paiva)





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Ser Mãe é padecer no Paraíso... presente incomparável de Deus...

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