sábado, 27 de abril de 2013

Barco x remo


Mãe:
Eu  sou o barco sem remo.
Filhos:
Eu sou o remo do seu barco.

Marcha soldado

-Psiu! Não faça barulho! Vovô dorme!...
-Não corra assim!... - Não grite, Manuel!...

... É o que ouço naquela casa enorme,
Se brinco de soldado de papel!

O vovô na cadeira, bem calado,
Fica quieto... mas ri quando me vê.
Ri, porque assim não fica abandonado
Dormindo com o jornal que ele nem lê.

Eu bato no tambor todo contente,
Eu marcho e canto, e sempre cantarei!
Porque, mais do que sabe aquela gente,
Do que gosta o vovô eu é que sei!

O vovô me contou o seu segredo:
Ele foi pequenino como eu!
Brincou de soldadinho e então, sem medo,
Batia num tambor igual ao meu!...


Ninguém sabe essa história, e mais ainda,
Ninguém ouviu o que ele disse a mim,
Um dia que eu tocava a marcha linda
Que eu sei tocar tão bem! Olha: esta assim!

Ele me disse: Eu gosto que a meu lado
Você faça barulho, Manuel!
Pois penso que voltou todo o passado...
Que marcho de cabeça de papel!

E é por isso que eu nino o bom velhinho
Com meus cantos de guerra, meu tambor...
Ele gosta, coitado!.. e diz baixinho:
Marcha, soldado! ... Marcha, meu amor!...
(Maria Alves Veloso)



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Ser Mãe é padecer no Paraíso... presente incomparável de Deus...

Customizado por Meri Pellens.