domingo, 10 de março de 2013

Rádio x pilha



Mãe:
Eu sou um rádio sem pilha.
Filho:
Eu sou a pilha do seu rádio.

O remédio

A Amelinha está doente,
Chora, tem febre, delira;
Em casa, está toda gente
Aflita, e geme, e suspira.

Chega o médico e a examina,
Tocando a fronte abrasada,
E o pulso da pequenina,
Diz alegre: "Não é nada!"

Vou lhe dar uma receita,
Amanhã, o mais tardar,
Já de saúde perfeita,
Há de sorrir e brincar.

vem o remédio. Amelinha
grita, faz manha, esperneia:
Não quero! O pai se avizinha,
Mostrando-lhe a colher cheia:

Toma o remédio, querida!
dar-te-ei como recompensa,
Uma boneca vestida
De seda e rendas, imensa..

-Não quero! Chega a titia:
Amélia é boa, não é?
Se fosse boa, teria
Toda uma arca de Noé...

-Não quero! Prometem tudo,
Livros de figuras cheios,
Um vestido de veludo,
Brinquedos, joias, passeios...

Telma Amelinha. Faz manha.
E diz o pai, já com tédio:
-Menina! Você apanha,
Se não toma este remédio!

E, nada! A menina grita,
Sem querer obedecer.
Mas nisto, a mamãe aflita,
Põe-se a chorar e a gemer.

Logo Amelinha, calada,
Mansa, a colher segurando,
Sem já se queixar de nada,
Vai o remédio tomando.

-Então? Mau gosto sentiste?
Diz o pai... E ela apressada:
-Para não ver mamãe triste,
Não sinto mau gosto em nada!
(Olavo Bilac)

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Ser Mãe é padecer no Paraíso... presente incomparável de Deus...

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