quinta-feira, 28 de março de 2013

Computador x mouse


Mãe:
Eu sou o computador sem mouse.
Filhos:
Eu sou o mouse do seu computador.

Histórias do Saci

A criançada foi dormir
Pensando nas histórias
Do Saci Pererê.

Lá fora,
Fria farvalha a floresta densa
E o vento zune
Nos túneis estreitos das montanhas
Imensas
-aparadas-
Vestidas da luz assombrada
Que  esguincha da lua fantasma.

E o Saci Pererê!
-pererê... pererê!...
Balança o corpinho negro
Enrodilhado nos cipós...
E espia pra o alto
E manda pra lua
Um assobio fino
Que zune mais que o vento
E farvalha mais que o mato.
-Pererê... pererê!...

Mas quando a madrugada foi chegando
Empurrando
Com seus dedos de luz
O capuz de cetim
Da noite enluarada,
E a manhã,
Trepada na montanha mais alta,
Sorrio
Seu sorriso de sol,
A criançada  foi espiar a janela
Que tinha amanhecido toda aberta
-Escancarada-
Sem que ninguém soubesse como nem porquê.

Mas... ah!
O galho fresco da árvore,
Lascado de novo,
Que em cima dela se achava,
com certeza
Tinha servido de chicote
Ao Saci Pererê.
Fora com ele que  o demo menino
O demo pretinho
Em meio  dos seus pinotes,
Tinha despido as árvores
Para cobrir de folhas os caminhos;
E deixara o roseiral
Sem uma rosa sequer
Nos galhos das roseiras;
E o chão cobertinho
De flores
-Como se todo o jardim
Tivesse soluçado a noite inteira
Deitando para o chão
Lágrimas de cores.

Um arrepio de susto
Traz tremores de medo
E o mesmo gesto de horror a todas as crianças.
"T"esconjuro!
"T"esconjuro!
"T"esconjuro, Saci!
Deus nos livre de ti.

Mas só tia Josefa é que sabia,
Que fora o vento
Tão somente o vento
Que cobrira de pétalas o chão.

E que o galho fresco de árvore
lascado de novo,
Tinha sido um pedaço de chicote
Do filho de Siá Maria
Que ela vira,

Ao abrir a janela,
Madrugadinha ainda,
Fustigara, em demanda do pasto,
Seu cavalo alazão.

(Marieta Leite)




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Ser Mãe é padecer no Paraíso... presente incomparável de Deus...

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